Três operações em maio, envolvendo Polícia Federal, MPES, Iema e BPMA, intensificam o combate à retirada clandestina de areia nas áreas protegidas de Guarapari e Vila Velha, com ações de apreensão, interdição e combate à comercialização irregular
A extração clandestina de areia, uma prática criminosa que assola o litoral do Espírito Santo há décadas, voltou ao centro das atenções neste mês de maio de 2025. Três grandes operações — Village, Ampulheta e uma ação integrada do Iema com o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) — colocaram em evidência a atuação de empresas ilegais e a resposta firme da fiscalização ambiental. O foco principal foi a zona de amortecimento do Parque Estadual Paulo César Vinha (PEPCV) e áreas vizinhas, que continuam sofrendo com a degradação causada pela retirada irregular de recursos naturais.
Operação Village: ação da PF desarticula rede organizada
No dia 13 de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Village. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Guarapari e Vila Velha, com o apoio de 36 policiais. A investigação revelou que a extração de areia era feita durante a madrugada, com a presença de vigias para driblar a fiscalização. A areia retirada era levada para depósitos clandestinos em bairros urbanos.
Uma empresa foi interditada no bairro Morada do Sol, em Vila Velha. Também foram apreendidos um trator esteira e dois caminhões. Os responsáveis poderão responder por crimes como extração ilegal de recurso mineral, dano a unidade de conservação, usurpação de bem da União e associação criminosa — com penas que podem ultrapassar 14 anos de prisão.
Operação Ampulheta: foco na comercialização ilegal
Paralelamente, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), com apoio do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), deflagrou a Operação Ampulheta, focando não apenas na extração, mas também na cadeia de comercialização da areia ilegal.
Foram vistoriados 12 pontos de venda de areia em Guarapari e Vila Velha. A equipe verificou a origem dos materiais, a regularidade das licenças ambientais e se os empreendimentos respeitavam os limites legais para extração e transporte. A ação teve como objetivo sufocar a comercialização do produto extraído ilegalmente e responsabilizar tanto quem extrai quanto quem compra.
Ação conjunta Iema e BPMA: flagrante e bloqueio de máquinas
Em outra frente, o Iema realizou uma operação junto ao Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) na Área de Proteção Ambiental (APA) de Setiba, zona contígua ao PEPCV. Nessa ação, foram registrados flagrantes de retirada ilegal de areia e apreensão de equipamentos utilizados na degradação ambiental.
Segundo o Iema, essas ações fazem parte de um plano de atuação contínua para proteger as unidades de conservação, com base em denúncias, imagens de satélite e rondas em campo. A colaboração entre instituições tem sido essencial para garantir agilidade e efetividade às fiscalizações.
Um histórico de impunidade e luta ambiental
O Parque Paulo César Vinha foi criado para proteger ecossistemas de restinga, lagoas costeiras e espécies ameaçadas de extinção — mas convive com ameaças desde sua origem. Em 1993, o biólogo Paulo César Vinha foi assassinado por denunciar a extração de areia na região — crime ambiental que, décadas depois, ainda persiste.
As ações recentes demonstram que, embora as estruturas criminosas continuem existindo, o poder público está vigilante e ativo no enfrentamento a esse tipo de delito.
Concorrência justa e setor regular valorizado
As ações de fiscalização não têm como alvo as empresas regulares e comprometidas com a legislação ambiental. Ao contrário, o objetivo é coibir práticas criminosas que colocam em risco o meio ambiente e prejudicam os empreendedores que atuam de forma responsável. A atuação firme do poder público garante uma concorrência justa, favorecendo os negócios que operam com transparência, licenças válidas e respeito aos limites ambientais.
Denuncie e proteja
A população tem papel decisivo na defesa ambiental. A denúncia anônima é uma das formas mais eficazes de combater crimes contra a natureza. Ao perceber movimentações suspeitas, caminhões em áreas de proteção, depósitos clandestinos ou qualquer atividade irregular, denuncie:
• Linha Verde do Ibama: 0800 61 8080
• Disque-Denúncia Ambiental do Iema: (27) 3636-2512
• Polícia Ambiental – EMERGÊNCIA: 190
• Ministério Público do ES: www.mpes.mp.br
A denúncia é sigilosa. Sua informação pode impedir a destruição de ecossistemas inteiros e preservar o patrimônio ambiental do Espírito Santo.
Reportagem: Waldeck José
Fontes oficiais:
• Polícia Federal – Operação Village
